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O Plano Real da Infraestrutura

08/09/2009

Há quinze anos nascia o Plano Real liderado pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, na gestão do Presidente Itamar Franco e com a intensa colaboração de economistas, tais como Pérsio Árida, Gustavo Franco, Clóvis Carvalho, André Lara Resende, entre tantos outros notáveis, destacando-se o pensamento liberal e de mercado.

Antes de 1994, ano de implementação da URV (Unidade Real de Valor), como indexador da moeda e a posteriori do Plano Real em si, quem não recorda do elevado processo inflacionário nacional, oriundo de políticas públicas equivocadas, de um gasto público exorbitante, gerando uma dívida interna absurda e com perdas no poder de compra consumidor. Em paralelo, o parque industrial nacional estava defasado, com baixa capacidade de investimento e crescimento, devido à ausência de recursos.

Foi necessária uma engenharia financeira e enorme vontade política, para colocar o Brasil em ordem e um aumento da esperança em geral pela população por dias melhores. Hoje, observa-se o crescimento do poder de compra dos indivíduos e a ascensão da Classe C, com maior capacidade financeira e acesso a itens de consumo nunca antes imaginados.

Para os economistas, porém, o fundamental para o longo prazo é a realização de análises sobre o comportamento do PIB, inflação, reservas, endividamento público, câmbio entre outros critérios desta área do conhecimento. Entretanto, sem estradas, portos, aeroportos e indústrias produzindo com a sua capacidade máxima, os feitos de quinze anos atrás podem ser ameaçados, destacando-se, a inofensividade do câmbio, em ambientes altamente produtivos e sem barreiras alfandegárias para a exportação.

Portanto, é preciso vontade política e gente especializada para a criação de um “plano real” logístico nacional, de forma bem elaborada e com a participação de acadêmicos e executivos experientes no tema. Basta verificar que, da mesma forma que planos econômicos como o Cruzeiro foram propostos e não vingaram por diversas razões, para a logística estão o PAC (ex-Avança Brasil), o PNLT (Plano Nacional de Logística e Transportes), bem como tantos outros.

Se o Brasil pretende de fato seguir os caminhos dos seus companheiros em desenvolvimento, tais como China, Rússia e Índia, já está na hora de pensar em soluções como novas rodovias (e não operações tapa-buracos), na ampliação de portos e aeroportos. Soluções de curto prazo, como as estipuladas para a realização da Copa do Mundo de 2014 são estapafúrdias e não geram os devidos resultados.

Conforme o Conselho de Gestão da Cadeia de Suprimentos afirma, a logística é um processo de planejamento, implementação e controle das atividades de transportes, estoques e previsão de demanda, com foco nos consumidores e fornecedores, exigindo a devida qualificação técnica para a proposta de soluções e desenvolvimento sustentável.

Hugo Ferreira Braga Tadeu
Professor da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro e Coordenador do Núcleo de Estudos em Operações. Diretor do IELOG. E-mail: hugofbraga@gmail.com

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